Cidadania: Omissão na Missão

Cidadania: Omissão na Missão

A cidadania é constituída pela junção de uma série de direitos e deveres. Conversar sobre cidadania no Brasil é quase uma obrigação. Vivendo em um país com uma das mais altas cargas tributárias do mundo e recebendo serviços públicos de qualidade discutível o criativo e resiliente povo brasileiro “se vira” para garantir mínimas condições de saúde, educação, trabalho e um pouco de lazer, já que ninguém é de ferro. Mas a falta de interesse pela defesa de direitos já vem de longa data, sobrando os inevitáveis deveres nossos de cada dia.

Apesar das redes sociais estarem inundadas de discussões acaloradas e verdades individuais sobre política e diversos outros assuntos, chegando algumas vezes a uma falta de compostura e respeito mútuo, o debate verdadeiro a respeito de governo continua pouco denso, pouco profundo na discussão de soluções possíveis.

Estamos prestes a observar uma das maiores ausências em urnas nas próximas eleições. Logo agora que o Brasil não pode se dar ao luxo de errar. Dizer que a  economia não vai bem é como chover no molhado. Com a produção em queda, os empregos desaparecem e um passo na direção errada pode levar nossa pátria amada, mãe gentil, para mais longe dos nossos sonhos. Doenças antes erradicadas reaparecem como se fossem comprovantes da falta de programas efetivos de saúde pública e a penalização do povo por sucessivos erros.

Cidadania é muito mais que uma teoria. É o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição de um país, por parte dos seus respectivos cidadãos.

Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados. O respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada e justa.

Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações, garantindo que estes sejam colocados em prática.

Além de cumprir as leis é dever do cidadão, estabelecido em constituição, escolher seus governantes.

Omissão dos bons cidadãos na missão dada em escolher os governantes jamais será uma boa saída. Existem aqueles que se articulam em seus interesses pessoais acima do bem coletivo e estes jamais, digo jamais, faltarão nas urnas. Apostam na apatia e contam com a falta de interesse dos cansados, decepcionados e irritados brasileiros. O Brasil é uma democracia jovem e ainda naturalmente amadurece no processo de escolha política.

Desejar o melhor, estar atento em meio aos lobos, já configura um bom caminho. Independente da filosofia, religião ou vertente política. Porém, muitos brasileiros aguardam receber um país arrumado, organizado, como se alguém na outra ponta do serviço de delivery chegasse. Como um salvador da pátria, para entregar o pedido. Mais do que aguardar, temos que prestar atenção no país que fazemos, agora, toda hora. Ou não chegaremos jamais em um lugar justo.

Respeitar os direitos individuais, indicar o caminho, exemplo a ser seguido e escolher bem quem nos represente. Esta é nossa missão de cidadania.

Escolher quem melhor representa aquilo que você acredita, seus valores e princípios. E assim participar do positivo processo democrático, colocando no poder quem irá buscar, ao máximo, defender suas bandeiras.

Dupla cidadania é uma condição de quem pertence a um ou mais países, normalmente condição alcançada por laços familiares. Podemos dizer que os cristãos também tem dupla cidadania. Pois representam os valores de um governo baseado em princípios específicos e devem expressar politicamente seus desejos de governo. A omissão na escolha é dar permissão para ser governado por aqueles que diferem do que você pensa, luta e acredita.

Omissão também é uma forma de entregar a terceiros aquilo que foi confiado como missão.

Publicação de Marcos Libório